H REVISTA FRAUDE

Ano 15 | 2018 - nº16 - Salvador/Bahia

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Como colecionadores de vinis de reggae têm colaborado para preservar a música jamaicana em Salvador

Texto I'sis Almeida e Sidney Alaomin
Fotos Marina Carrera/Petcom

Como colecionadores de vinis de reggae têm colaborado para preservar a música jamaicana em Salvador

Texto I'sis Almeida e Sidney Alaomin
Fotos Marina Carrera/Petcom

É comum ouvir falar sobre colecionadores de vinis, mas sobre colecionadores de vinis exclusivamente de reggae, é mais raro. Apesar de não serem tão conhecidas, essas pessoas mantêm viva a memória do reggae mundial através do colecionamento de seus discos.

Para adquirir os vinis ou “pedras do reggae”, como tais colecionadores costumam chamar os discos, é preciso muito empenho. A disputa quase sempre é a nível mundial, seja para a compra de discos compactos (que possuem apenas uma ou duas músicas) ou para a compra de discos de álbuns no geral. A maior parte das compras é realizada online, via redes sociais ou em leilões. Alguns discos chegam a custar de 6 a 10 mil reais, conforme sua raridade. Dar o lance final nem sempre é possível, mas eles garantem que estão sempre na disputa a fim de aumentar o próprio acervo. Caso um colecionador deseje muito um disco mas não tenha condições para pagar, criaram o costume de se dividir entre eles mesmos e aquele disco passa a ter domínio coletivo, ou seja, ter mais de um dono

É comum ouvir falar sobre colecionadores de vinis, mas sobre colecionadores de vinis exclusivamente de reggae, é mais raro. Apesar de não serem tão conhecidas, essas pessoas mantêm viva a memória do reggae mundial através do colecionamento de seus discos.

Para adquirir os vinis ou “pedras do reggae”, como tais colecionadores costumam chamar os discos, é preciso muito empenho. A disputa quase sempre é a nível mundial, seja para a compra de discos compactos (que possuem apenas uma ou duas músicas) ou para a compra de discos de álbuns no geral. A maior parte das compras é realizada online, via redes sociais ou em leilões. Alguns discos chegam a custar de 6 a 10 mil reais, conforme sua raridade. Dar o lance final nem sempre é possível, mas eles garantem que estão sempre na disputa a fim de aumentar o próprio acervo. Caso um colecionador deseje muito um disco mas não tenha condições para pagar, criaram o costume de se dividir entre eles mesmos e aquele disco passa a ter domínio coletivo, ou seja, ter mais de um dono

De onde vem a paixão

Para entender de onde vem a paixão desses colecionadores é necessário, antes de tudo, fazer uma viagem no tempo, ou melhor, à infância desses personagens.

Clementino Augusto Filho, 51, autônomo, conta com mais de 300 discos em seu acervo e conta que começou a gostar de reggae desde pequeno: “com 13/14 anos eu já escutava reggae nas danceterias. Apesar da timidez, era a única música que eu conseguia dançar”. As antigas danceterias brasileiras emergiram na década de 1970, onde as pistas de dança funcionavam como grande atração. As casas noturnas investiam em show de luzes para destacar as pistas e a presença de um DJ (abreviação de “disc jockey”) era obrigatória.

 


DJ Ras Seles, como é mais conhecido Robson Alves Seles, 49, começou a comandar as pickups aos 17 anos de idade. Ele conta que antes não se importava em tocar diferentes estilos de música, mas a partir da década de 1990 tomou a decisão de tocar apenas reggae. A pickup é um instrumento típico dos DJ’s, que começou a ser utilizado nas pistas de dança no período de ascensão das danceterias.

"QUANDO NÃO CONHECIA O AMBIENTE EU TINHA MUITO PRECONCEITO, HOJE O REGGAE ME RENOVA", MARILEIDE ASSIS

Outro ambiente importante na experiência de alguns colecionadores são os “bares do reggae”, localizados geralmente em bairros populares como o Pelourinho, onde admiradores do gênero musical se reuniam para escutar e dançar. Carlos Alberto, 42, autônomo, mais conhecido como Carlinhos, conta que desde a infância acompanhava o pai nesses locais e que seus primeiros contatos com o reggae se deram através dele. “Eu na idade de 14/15 anos já colocava Edson Gomes para tocar”, diz. Segundo ele, de sua adolescência para cá, surgiram mais bares com a temática, inclusive o seu, a “Casa do Reggae”, situada no bairro de Pau da Lima, onde exibe os mais de 400 discos da sua coleção.

De onde vem a paixão

Para entender de onde vem a paixão desses colecionadores é necessário, antes de tudo, fazer uma viagem no tempo, ou melhor, à infância desses personagens.

Clementino Augusto Filho, 51, autônomo, conta com mais de 300 discos em seu acervo e conta que começou a gostar de reggae desde pequeno: “com 13/14 anos eu já escutava reggae nas danceterias. Apesar da timidez, era a única música que eu conseguia dançar”. As antigas danceterias brasileiras emergiram na década de 1970, onde as pistas de dança funcionavam como grande atração. As casas noturnas investiam em show de luzes para destacar as pistas e a presença de um DJ (abreviação de “disc jockey”) era obrigatória.

 


DJ Ras Seles, como é mais conhecido Robson Alves Seles, 49, começou a comandar as pickups aos 17 anos de idade. Ele conta que antes não se importava em tocar diferentes estilos de música, mas a partir da década de 1990 tomou a decisão de tocar apenas reggae. A pickup é um instrumento típico dos DJ’s, que começou a ser utilizado nas pistas de dança no período de ascensão das danceterias.

"QUANDO NÃO CONHECIA O AMBIENTE EU TINHA MUITO PRECONCEITO, HOJE O REGGAE ME RENOVA", MARILEIDE ASSIS

Outro ambiente importante na experiência de alguns colecionadores são os “bares do reggae”, localizados geralmente em bairros populares como o Pelourinho, onde admiradores do gênero musical se reuniam para escutar e dançar. Carlos Alberto, 42, autônomo, mais conhecido como Carlinhos, conta que desde a infância acompanhava o pai nesses locais e que seus primeiros contatos com o reggae se deram através dele. “Eu na idade de 14/15 anos já colocava Edson Gomes para tocar”, diz. Segundo ele, de sua adolescência para cá, surgiram mais bares com a temática, inclusive o seu, a “Casa do Reggae”, situada no bairro de Pau da Lima, onde exibe os mais de 400 discos da sua coleção.

A casa do reggae

Entre os admiradores, a casa é um dos locais em Salvador mais conhecidos na cena do reggae por uma especificidade: lá só toca vinil. Além disso, o espaço é totalmente decorado com símbolos do estilo musical, quadros de Bob Marley são destaque em meio às cores da bandeira jamaicana. Um extenso mural exibe desde artistas conhecidos até artistas que já passaram por Salvador e pela casa.

“EU NA IDADE DE 14/15 ANOS JÁ COLOCAVA EDSON GOMES PARA TOCAR”, CARLOS ALBERTO

Francisnando São Pedro, 39, mais conhecido como Nando Roots, é frequentador do estabelecimento e também coleciona vinis. Ao falar sobre o local, explica que um dos principais motivos pelo qual as pessoas gostam de visitá-la aos finais de semana, quando Carlinhos costuma ligar o som, é a qualidade sonora dos equipamentos que o dono do bar possui.

Para o DJ Weliton Silva, 39, que frequenta o local desde sua fundação, a influência surgiu através de um tio. “Meu tio se tornou evangélico. A maioria dos discos que ele tinha ficaram para mim”. Sua mãe, Marileide Assis, é uma das visitantes mais assíduas do bar, porém confessa: “quando não conhecia o ambiente eu tinha muito preconceito, hoje o reggae me renova”.

 

Fundada há 15 anos, além de bar, hoje ela funciona também como um espaço para eventos de reggae. Um desses eventos é o Radiola Deep Roots, organizado em parceria com Clementino. O colecionador, quando assume a função de produtor, prefere ser chamado de Clementino Roots. Além do Radiola, tributos a grandes nomes do gênero musical costumam acontecer no local. O último, realizado no dia 03 de junho de 2018, homenageou Bob Marley e The Wailers, banda em que Bob iniciou a carreira como cantor.

A casa do reggae

Entre os admiradores, a casa é um dos locais em Salvador mais conhecidos na cena do reggae por uma especificidade: lá só toca vinil. Além disso, o espaço é totalmente decorado com símbolos do estilo musical, quadros de Bob Marley são destaque em meio às cores da bandeira jamaicana. Um extenso mural exibe desde artistas conhecidos até artistas que já passaram por Salvador e pela casa.

“EU NA IDADE DE 14/15 ANOS JÁ COLOCAVA EDSON GOMES PARA TOCAR”, CARLOS ALBERTO

Francisnando São Pedro, 39, mais conhecido como Nando Roots, é frequentador do estabelecimento e também coleciona vinis. Ao falar sobre o local, explica que um dos principais motivos pelo qual as pessoas gostam de visitá-la aos finais de semana, quando Carlinhos costuma ligar o som, é a qualidade sonora dos equipamentos que o dono do bar possui.

Para o DJ Weliton Silva, 39, que frequenta o local desde sua fundação, a influência surgiu através de um tio. “Meu tio se tornou evangélico. A maioria dos discos que ele tinha ficaram para mim”. Sua mãe, Marileide Assis, é uma das visitantes mais assíduas do bar, porém confessa: “quando não conhecia o ambiente eu tinha muito preconceito, hoje o reggae me renova”.

 

Fundada há 15 anos, além de bar, hoje ela funciona também como um espaço para eventos de reggae. Um desses eventos é o Radiola Deep Roots, organizado em parceria com Clementino. O colecionador, quando assume a função de produtor, prefere ser chamado de Clementino Roots. Além do Radiola, tributos a grandes nomes do gênero musical costumam acontecer no local. O último, realizado no dia 03 de junho de 2018, homenageou Bob Marley e The Wailers, banda em que Bob iniciou a carreira como cantor.

A produção dos eventos

Os produtores do Radiola Deep Roots afirmam que o planejamento dos eventos geralmente acontecem de acordo com as demandas: “É uma coisa de momento!”, reforça Carlos. Foi assim que ele, junto a Clementino, conseguiu trazer o cantor jamaicano Sylford Walker ao Brasil, através de recursos próprios. “Eu acreditei. Foram horas de negociação entre eu e ele, tudo pela internet”, comenta Clementino.

Sylford, que antes só era conhecido pelos colecionadores através do vinil por volta de 1980, foi atração principal do “Radiola Deep Roots & Casa do Reggae”, ocorrido no dia 26 de novembro de 2016, no Espaço Korefan, no Pelourinho. Iago Augusto, 24, técnico em eletromecânica, filho de Clementino, ajudou ao pai na venda de bebidas no dia do evento e conta que mesmo trabalhando conseguiu aproveitar. “Ele é considerado uma lenda Jamaicana, por isso, fiquei orgulhoso e foi muito bom conhecer o Sylford pessoalmente”.

A divulgação, além do “boca a boca”, aconteceu através das redes sociais (WhatsApp e Facebook). Na página do evento e no perfil pessoal dos amigos, é possível encontrar os registros da passagem do cantor jamaicano pela cidade e também de outras produções realizadas entre os colecionadores.
 


Sem vinil, sem festa!

Numa declaração realizada por João Marcello Bôscoli, produtor musical e empresário brasileiro, para o programa “Olhar Digital”, a diferença entre o som do vinil e do CD é muito subjetiva. “Tem quem goste do timbre do vinil, dos harmônicos, da textura sonora daquela mídia. Porém, pelo olhar técnico, as frequências digitais que você tem hoje transcendem a do vinil”, afirma o especialista.

Apesar disso, Clementino defende que a qualidade sonora de um disco de vinil é incomparável à de um CD. Portanto, o vinil utilizado nos eventos é uma peça essencial para o entretenimento do público. É um elemento que não só faz parte das suas grandes coleções, mas que pertence à cultura do grupo de resgatar as raízes do Reggae.

 

A produção dos eventos

Os produtores do Radiola Deep Roots afirmam que o planejamento dos eventos geralmente acontecem de acordo com as demandas: “É uma coisa de momento!”, reforça Carlos. Foi assim que ele, junto a Clementino, conseguiu trazer o cantor jamaicano Sylford Walker ao Brasil, através de recursos próprios. “Eu acreditei. Foram horas de negociação entre eu e ele, tudo pela internet”, comenta Clementino.

Sylford, que antes só era conhecido pelos colecionadores através do vinil por volta de 1980, foi atração principal do “Radiola Deep Roots & Casa do Reggae”, ocorrido no dia 26 de novembro de 2016, no Espaço Korefan, no Pelourinho. Iago Augusto, 24, técnico em eletromecânica, filho de Clementino, ajudou ao pai na venda de bebidas no dia do evento e conta que mesmo trabalhando conseguiu aproveitar. “Ele é considerado uma lenda Jamaicana, por isso, fiquei orgulhoso e foi muito bom conhecer o Sylford pessoalmente”.

A divulgação, além do “boca a boca”, aconteceu através das redes sociais (WhatsApp e Facebook). Na página do evento e no perfil pessoal dos amigos, é possível encontrar os registros da passagem do cantor jamaicano pela cidade e também de outras produções realizadas entre os colecionadores.
 


Sem vinil, sem festa!

Numa declaração realizada por João Marcello Bôscoli, produtor musical e empresário brasileiro, para o programa “Olhar Digital”, a diferença entre o som do vinil e do CD é muito subjetiva. “Tem quem goste do timbre do vinil, dos harmônicos, da textura sonora daquela mídia. Porém, pelo olhar técnico, as frequências digitais que você tem hoje transcendem a do vinil”, afirma o especialista.

Apesar disso, Clementino defende que a qualidade sonora de um disco de vinil é incomparável à de um CD. Portanto, o vinil utilizado nos eventos é uma peça essencial para o entretenimento do público. É um elemento que não só faz parte das suas grandes coleções, mas que pertence à cultura do grupo de resgatar as raízes do Reggae.

 

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